sábado, 19 de dezembro de 2009

Livro de Dom Casmurro

sábado, 19 de dezembro de 2009 0

Josué estava sentado no sofá de sua casa zapeando os canais da televisão. Deitou-se de lado, escorou a cabeça com a mão direita e continuou a zapear a televisão.
- Meu filho, não acha alguma coisa na televisão?- disse sua mãe surgindo da cozinha com uma vasilha e uma colher de pau na mão.
- Mãe, Domingo não tem nada na televisão.
- Então vá ler um livro, você tem tantos...
- Mãe, já li todos.
-Bom, nesse caso amanhã iremos a uma livraria e te darei um livro novo. Se eu não puder ir, seu pai vai...
- Eu?- Disse Antônio, pai de Josué, saindo do banheiro com creme de barbear no rosto.-amanhã eu não posso. Mas eu tenho um livro muito bom guardado na minha gaveta.
- Qual, pai?
- Já ouviu falar em Machado de Assis?
- Você está querendo dar aquele livro pra ele?- disse Rosa com uma cara de surpresa.
- Sim, pai, me lembro de ter ouvido falar sobre ele na escola.
- E o que você ouviu falar sobre ele?- perguntou Antônio ignorando a pergunta de Rosa.
- Ouvi dizer que ele foi um grande e importante escritor brasileiroo e ouvi alguma coisa relacionada a uma mulher. Capitu, acho que era a mulher dele.
- Não, meu filho. Capitu é uma personagem do livro chamado Dom Casmurro, que é o livro que eu vou te dar. Este livro eu ganhei do meu professor, e agora estou passando ele pra você. Rosa, isso aí é bolo?
- É sim, de abacaxí.
- Pai, vai pegar o livro agora? É porque eu tenho nada pra fazer e estou morrendo de tédio.
 Enquanto o bolo de abacaxí assava, Josué sentou-se no sofá e começou a ler o livro. " Ai ai, tem algumas palavras complicadas aqui", pensava ele. Mas isso não o impediu de seguir adiante com o livro. Algumas vezes o cheiro do bolo o desconcentrava, mas houve um momento do livro que o fez esquecer do bolo, das palavras difíceis ou de qualquer outra coisa que tirasse sua atenção. Ali, naquele instante, era só o livro e ele.
- Será que José Dias vai ajudar o Bentinho?
- O que foi, meu filho?- perguntou sua mãe, enquanto cortava o bolo em quadrados.
- Eu perguntei se José...
- Acalme-se, companheiro. Cada coisa na sua hora, continue lendo.- disse seu pai sentando ao seu lado, agora com barba feita.
- Pai, como eu não li este livro antes?
- Eu sabia que você ia gostar, meu filho, mas achei que você não tinha idade pra entender algumas palavras.
- Sabem de uma coisa? Eu tentei ler este livro, mas não consegui. É meio chato...
- Mãe, chato são essas novelas que a senhora anda vendo. Sempre o mesmo final, sempre o vilão se dá bem até o último capítulo e mau podemos ver a felicidade da mocinha.
- Falou tudo, meu garoto.
- Bom, o bolo está pronto. Antônio, vamos pro nosso quarto aproveitar esse dominguinho gostoso?
- Filhão, continua lendo aí que eu e sua mãe vamos descansar agora.
- Descansar? Sei...
 Josué continou lendo seu livro. Algumas passagens o fizeram franzir a testa, outra fizeram ele soltar uns risos, algumas o fizeram suspirar. Por fim, chegou em uma parte que seus olhos se arregalaram e fez ele saltar do sofá e sair correndo em direção ao quarto de seus pais.
- Ai Antônio- deu uma gargalhada  abafada- ui, ui, pára...
- Pai!- gritou Josué do outro lado da porta.
- O que foi agora, Josué?- perguntou seu pai, saindo debaixo da coberta com uma cara de decepção.
- O Bentinho foi pro seminário. E agora?

O lírio dos olhos


 No céu, um azul, azul dos olhos, azul do mar. Sob o céu uma moça, cabelos amarelos, assim como o sol que a iluminava. Sob seus pés uma grama verde, suave, molhada. A moça dançava em círculos vagarosamente enquanto do céu saia uma melodia gostosa, limpa, jamais ouvida pelo homem na Terra.
 Como que em um livro infantil, surgiram os pássaros que, quando passavam, pintavam o céu. As mais variadas formas de cores formavam espirais enquanto um enorme pássaro azul escuro saiu em disparada , fazendo uma enorme linha seguindo o infinito. De repente, as aves fizeram um mergulho no chão, mas antes de baterem, transformaram-se numa névoa que logo deram formas  femininas joviais, com um cheiro de primavera e começaram a dançar num ritmo cigano, todas perfeitamente lindas.
 Os olhos da moça quase ficaram cegos diante de tanta beleza. O surreal já não mais existia naquele momento. Todos as dores daquela moça se foram, o que ela sentia naquele momento era inexplicavel,um imenso prazer tomava todo o seu corpo, uma sensação de paz que ela jamais teve em sua vida tomou conta do seu espírito. De repente, ela sentiu que nada mais era impossível ali. Sua roupa já não era mais a mesma,agora ela usava um enorme manto vermelho, que tinha um brilho excepcional. Sentiu uma vontade enorme de voar.As bordas da calda do seu manto transformaram-se em chamas. Com um pequeno movimento, ela começou a voar. Qunado ja estava no alto, transformou-se em uma ave linda em chamas.

José Quintino, o esquecido.


José Quintino é um bom sujeito. Ou foi,porque há tempos que não chega nenhuma notícia dele por essas bandas. De qualquer modo, creio que esteja vivo. O caso é que até hoje na minha vida nunca conheci um homem tão atrapalhado quanto ele. Há os que esquecem o dia do aniversário da esposa, do casamento, do namoro, mas José esquece de quase tudo, as vezes até esquece o que esqueceu.
 Faz tempo desde meu último papo com ele, mas se não me engano, topei com ele numa Quinta feira. Era mais ou menos três horas da tarde quanto topei com ele em cima da ponte. Antes, porém, veio um outro conhecido e me desejou o feliz aniversário, já que naquele dia eu completava trinta e sete anos de idade.
- Uai, é seu anivérsário hoje, é? Meus parabéns, Armindo.
- É meu aniversário hoje, mas eu sou o Firmino, Armindo é meu irmão.
- Não é que é mesmo? Você me desculpe, mas é que ultimamente eu não estou muito bem da cabeça, sabe?
- É, mas é assim mesmo. Depois melhora, esses dias minha mulher tava meio esquecida e dei pra ela  a garrafada do seu Pedro,ele faz umas garrafadas boas pra tudo quanto é problema.
- Não é que eu tinha me esquecido do seu... Como é mesmo o nome dele... Tá na ponta da língua...
- Pedro.
- Isso, eu tinha até me esquecido do seu Pedro. Uma vez tava sentindo umas dores aqui pro lado do fígado e tomei a garrafada do seu coiso e o trem melhorou mesmo.Escuta aqui, Armindo, como é que vai o Firmino mesmo?
- Você quer saber é do Armindo, não?
- Não estou falando, homem? Idade pra ter esses esquecimentos eu não tenho!
- É só passar a tomar a garrafada que melhora. Mas o Armindo está bem. Arrumou uma moça. Trabalhadeira, de família. O pessoal aprovou.
- Que bom, uai. Esse Armindo já deu muito trabalho com essas meninas daqui, você não lembra?
- Nossa senhora da Penha! Armindo não cansava de trocar de namorada. Por falar nisso, e a Tereza?
- Uai, a mulher inventou que eu estou com uma amante, pode?
- Eita, mas por quê?
- Com essas doideiras minhas acabei esquecendo o aniversário dela e o do nosso casamento. Aí agora inventou esse trem. Se não dou conta de uma, como vou dar conta de duas?
- Rapaz, toma lá o trem logo que você vai ver que é bom.
- Que trem mesmo?
- A garrafada.
- Isso. Hoje mesmo vou dar um jeitinho de ir lá. Vamo alí tomar uma cachacinha e comer um queijinho?
- Parei com a cachaça. Agora só tomo uma cervejinha de vez em quando.
- Então fica assim. Você está morando aonde que eu quase não te vejo mais?
- No mesmo lugar de sempre.
- Hum, tá certo então.
- Abraço pra família, viu?
- Opa, outro! Qualquer hora eu apareço por lá. Muitoas anos de saúde e felicidades!
 Quando eu estava a uma certa distância ouço ele gritando meu nome.
- Firmino!
- Diga!
- Qual o nome do homem do trem mesmo?!
- É Pedro!
Essa foi a última vez que nos falamos. Acho que, se ainda estiver vivo, ele deve estar a mesma coisa. Ou pior.

Amores cruzados




 O amor. Nunca pensei que me encontraria com ele, mas o destino, a vida, ou seja la o que for, me fez vê-lo. E o amor é lindo.
 Eu e Márcio somos grandes amigos, não sei como nossa amizade cresceu, mas nos tornamos grandes parceiros. Custa-me confessar que algo além de amizade invadiu meus sentimentos. " Isso é outra coisa.", pensava eu pra distrair-me dos pensamentos que tinha.
 Naquele dia, Márcio e eu estavamos sentados em um banco da praça conversando sobre um filme de terror que haviamos visto.
- Felipe, queria te falar uma coisa.Não me interrompa e só quero que fale quando eu terminar. Por favor...
 Meu Deus, que garota é aquela? E as suas pernas...Os olhos, a boca...De onde veio esse anjo? Ela está olhando pra cá... Ela está sorrindo, ai meu Deus!
- Felipe?
Eu não mais ouvia o que Márcio estava me dizendo, eu só tinha olhos para aquela garota maravilhosa. Me apaixonei quase que no mesmo instante. Seu rosto era familiar. Instantes depois, sua familiaridade se confirmou. Ela é do 202, vizinha da minha vizinha no Edifício onde moro. Simplismente me apaixonei. Mas percebi também que havia deixado meu amigo falando sozinho e acordei.
- O que você ia dizer, Marcio?

 Apesar de sermos grandes amigos, eu amo o Felipe. As vezes eu acho que ele sente algo além da amizade também, mas tem medo de assumir que gosta de homens e acabar com sua fama de macho. Não sei como isso aconteceu, mas o Felipe me faz sentir tão bem que... Ah, só de pensar que já estive tão perto de me declarar pra ele.
 Haviamos assistido um filme de terror e em seguida fomos a praça, como já era de hábito, comentar sobre o filme ou algo parecido. Eu não sabia de que forma, mas eu ia me declarar a ele naquele dia.
 Quando percebi que o assunto do filme acabou, decidi me arriscar ali naquela hora.
-Felipe, queria te falar uma coisa.Não me interrompa e só quero que fale quando eu terminar. Por favor, vou entender se você parar de falar comigo, mas eu não fui culpado, muito menos você...
 Percebi que Felipe não estava me ouvindo. Sua expressão era irreconhecível, como se um pecador tivesse visto um anjo.
- Felipe?
 Droga, desse jeito eu não posso falar. Cortou o clima, melhor deixar pra lá.
 - O que você ia dizer, Márcio?
- Nada. Deixa pra lá.


  Recebi um telefonema de uma amiga me pedindo para que fosse até a casa dela. Um tal filme de terror estava virando febre e ela havia alugado pra assistir e decidiu me chamar. Me arrumei e fui.
 Sempre ouvi histórias de amor em que pessoas se encontram no caminho, mas sempre achei que fosse besteira. Não sei, talvez porque eu não seja romântica, sei lá. Mas naquele dia, ví que podemos encontrar o amor em qualquer momento e a qualquer hora. Pode não ser amor o que eu senti e sinto, mas, se não for, é algo melhor do que o amor.
 Dois garotos conversavam sobre alguma coisa animadamente. De repente,  um deles começou a me olhar. Sua expressão era estranha, meio abobalhada. De repente, olhei para o outro. Meu Deus, uma graça. Cabelos cacheadinhos, castanho, pele clara... Foi como se uma uma chuva de paixão tivesse caído sobre mim. Recusei-me a acreditar que estava acontecendo aquilo comigo, mas tive que abrir um sorriso e rir de mim mesma. O outro garoto eu conheço, é vizinho do meu vizinho. Meu Deus, de onde é esse garoto?
  Segui adiante para a casa da minha amiga. No caminho, meus pensamentos só eram aquele garoto. O vizinho do meu vizinho, ele é a chave pra eu me aproximar.

No céu




 Ultimamente o céu anda uma desordem. Tem santo não querendo cuidar do único bicho de estimação que Jesus tem, uma ave que foi nomeada como Maria. " Por que Jesus mesmo não cuida?", " Porque Jesus tem que cuidar do mundo, já viu o tanto de orações que ele recebe?". Está uma enorme confusão. Mas o que está irritando todos do céu é a sujeira em que este se encontra. São Pedro anda muito preguiçoso, os lixos estão pra todos os lados e o ambiente pede uma faxina.
- Pedro, já não lhe disse que você deve lavar esse céu?
- Sim senhor, meu Deus, mas é que...
- Não! Você deve me obedecer!
- Ah, mas o senhor tem que escolher porque aqui no céu os Santos andam fazendo o que querem . Ou eu cuido da ave Maria ou limpo o céu.
- Mas o que anda acontecendo aqui?
- Bom, Deus, é que eles ultimamente resolveram copiar o Brasil, sabe?
- Pelo meu amor, isso nunca deve acontecer. Já imaginou se isso aqui fica igual o Brasil? Eu ordeno ordem aqui!
- E digo mais... Só vou dizer o milagre, mas não o nome do santo. É que...
- Fale logo, Pedro! Eu não tenho tempo de conversas!
- Deus, eu nem preciso de te contar. O senhor sabe tudo, mas tem santo aí vendendo propriedade do céu.
- Não é novidade. E tem gente que acredita. Essas pessoas, lamentável... Mas eu quero todos os santos reunidos aqui imediatamente. Quero saber que história é essa de imitar o Brasil. Não quero ver pecador entrando no céu, muito menos compradores de propriedades. Outra coisa, tem anjas aí mudando a cor das vestimentas.De azul passou para rosa e estão deixando elas bem curtas. Desse jeito elas podem ficar do céu pra fora, mas aqui dentro  não.
- Sim senhor, Senhor. Direi logo que o senhor deseja uma reunião, mas para que seja mais agradável, darei uma faxina no céu.
- Pobres humanos, ainda bem que eles vêem quando o céu está sujo. Vêem a escuridão e já sabem que uma faxina vai ocorrer e se preparam.
    As pessoas estavam espantadas com o que viam no céu. Nunca viram um tempo tão feio como aquele.
- Joana, viu a previsão do tempo?- perguntou Tereza com os olhos esbugalhados para o céu.
- Ví sim, vai cair uma tempestade daquelas hoje.
- Deus que nos proteja, mas deixa eu ir que tenho que tirar a roupa do varal e meus meninos estão sozinhos em casa.
- Vai com Deus, Tereza, e acenda uma vela lá que eu vou acender uma aqui.

domingo, 8 de novembro de 2009

-Provando o amor, em forma de ódio-

domingo, 8 de novembro de 2009 1

Uma enorme chuva caia la fora. Trovoadas seguiam os raios que, a cada minuto, pareciam ser mais fortes. Era noite, mais precisamente oito e meia, e em algum lugar de São Paulo havia uma briga.Dois homens em um quarto de hotel. A aparência deles era de marginais, ambos eram mau vestidos e com manchas de sujeira no rosto. Um apontava a arma para o outro que, ao invés de se proteger, encorajava o outro a atirar.
- Isso, cara, atira! Atira e prove que você me ama!
- Eu não posso, cara-disse o outro chorando.
- Não pode? Não pode por quê!?
- Porque eu te amo, cara. Vamos parar com isso, eu vou embora daqui...
- Seu babaca, chorão de merda! Se você me amasse atiraria em mim. Eu não quero mais essa vida de merda que eu tenho.Então vá em frente e me mate! Por que você pegou essa arma, então?
- Cara-perdeu a voz e começou a chorar- Cara, eu não consigo. Eu peguei a arma pra me proteger de você, você está doido.
- Sim, doido o bastante pra tomar essa arma da sua mão se você não me matar. Eu estou falando, merda, acaba com isso logo e dê um furo na minha testa!
- Mas eu não consigo, eu te amo cara, você é como um irmão pra mim- disse aos gritos. O outro começou a rir.
- Que irmão que nada, seu babaca. Você não passa de mais um na lista dos que vão morrer de frio pelas ruas. Eu não sou desses, você é um perdedor, fracassado!
- Cara, por favor, não diga isso, senão...
- Senão o quê, seu trouxa?- perguntou o outro murchando a boca e arregalando os olhos com uma cara de deboche- Vai me matar é? Tomou coragem?
- Estou avisando, cara, eu te amo, mas pare com essa palhaçada agora, porra!
- Se você me amasse me mataria, você é um verme incapaz, sem moral, covarde...
 Uma trovoada abafou o barulho do tiro. Agora ele já não estava mais ofendendo seu companheiro, estava com a mão sobre o peito, caído no meio do quarto.
- Me desculpe, cara, eu te amo, cara, você me forçou.-disse seu parceiro que em pânico, colocando a mão na cabeça e andando de um lado para o outro com a arma.
- Vo...você...con...seguiu-disse com sua voz falhando e sua respiração acelerada, depois soltou um breve sorriso e fechou os olhos.
Seu parceiro, que estava a beira da loucura, se culpando por ver o que ele havia feito, pegou a arma, apontou para a própria cabeça. Hesitou alguns segundos, fechou os olhos, começou a chorar e tremer. Não conseguia. Era covarde demais para aquilo. Teve outra ideia. Saiu em meio àquele temporal, foi até a um orelhão, discou três números. Cinco segundos depois, ele começa a falar
- Alô, eu cometi um assassinato...
No outro dia, os jornais falavam de um assassino que havia cometido um crime e confessado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um pulo na noite

segunda-feira, 2 de novembro de 2009 0

O vento passou por seu cabelo, levando-os para frente calmamente. Ela olhava fixamente para o prédio a sua frente. Seus olhos estavam úmidos, uma lágrima caiu sobre seu rosto. Seu longo vestido de seda branco dançava livremente em seu corpo enquanto um vento forte e frio passava por ali. Em seus pulsos, duas marcas. Uma cicatrizada, outra recente. O céu completamente estrelado, e ela lá. Como uma pomba despreoculpada, ela começou a voar. Enquanto voava, ela passou a ver as coisas em câmera lenta. De repente, algumas vozes vieram ao seu ouvido. "Te amo, meu amor...Não quero mais ficar com você...Maluca, você pirou? Quer me matar... Você precisa de tratamento...Está insatisfeita, se mate, morra!". Depois, enquanto pousava, viu sua vida. Como num cinema, havia trilhas sonoras, paixões, dramas... Um baque, depois não viu mais nada. Depois não ouviu mais nada.
 
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